Após o trabalho com o tema identidade/diversidade a equipe "Mundo Jovem" sistematizou algumas reflexões, e agora com este blog, optamos por compartilhá-lhas com vocês
Que sentimentos emergem quando nos deparamos com o diferente?
Somos inevitavelmente colocados em cheque. Temos de pensar no que não temos e quer ter, ou no que temos e não queremos ter, ou no que não sabemos se somos ou não; aí vem o medo de sermos doutrinado e comandado pelo outro. Dá medo do que o outro vai mostrar de mim, e que não quero ver.
Todos nós desconhecemos parte de nós e por isso quando nos encontramos com outras pessoas somos obrigados a nos questionar. Só que o adolescente está justamente se perguntando quem é ele, o que quer ser e se conseguirá ser o que quer. Eles têm mais desconhecimentos sobre si e por isto o diferente tende ficar mais ameaçador (não sabem se vão conseguir responder para si e para o outro o que ele pensa, pois ainda não tem muitas referências de si e do mundo tão desenvolvidas)
Para ter mais respostas sobre o que eles querem ser, os adolescentes tendem a analisar o que seus amigos valorizam, o que os adultos de referências valorizam e, consequentemente o que a sociedade valoriza. Por isto, eles procuram se juntar a grupos que tenham características com as quais se identificam, criam regras de comportamentos tão rígidos (roupas, gosto musical, gírias...), por isto também imitam tanto os ídolos da TV e da música, torcem radicalmente para times de futebol... Buscando consolidar uma identidade, os adolescentes ainda tendem a rejeitar com muita força tudo que questiona estas referências de si tão novas e rígidas.
Rejeitam muitas vezes com ataques verbais, questionamentos e até com violência; isso não só com adultos, mas com outros grupos de jovens que se uniram por características que são diferentes do seu grupo de identificação.
Isto é importante dos professores, educadores sociais, familiares saberem, pois, quando algum adolescente os desafiam, muitas vezes atacando algum jeito de ser ou de pensar bem particular característico da personalidade do adulto, estão tentando conhecer novas referências de vida e/ou proteger as referências que acabaram de construir para si. É importante o adulto ouvir a crítica, instigar o adolescente a pensar no que ele está defendendo, qual a sua idéia, e depois é preciso falar o que ele pensa, mesmo que isto seja diferente do esperado pelo adolescente. É preciso ajudar o adolescente a respeitar outras formas de pensar, mesmo que ele não concorde. O adolescente só conseguirá respeitar uma idéia diferente da dele se estiver de bem com a referência que acabou de construir sobre si e sobre o mundo; aí deixará o diferente existir em paz.
A intolerância acontece quando o diferente nos afeta por expressar algo de nós que é desconhecido e ameaçador. Tentamos atacar no outro o que incomoda em nós.
Há grupo que se formam para atacar o diferente, e há grupos que se formam para oferecer companhia, amizade, força e suporte aos integrantes.
Há grupos sociais que servem de depositários dos ataques. São grupos que historicamente e culturalmente carregam estigmas por ameaçarem valores aceitos na nossa sociedade.
Intenção do trabalho com o tema identidade/diversidade é desnaturalizar preconceitos, refletir criticamente sobre eles.
Pensamos ser o papel do educador: intervir diretamente nas cenas de violência, se mostrar contra, demonstrar e incentivar novos valores para os adolescentes se orgulharem de valores como: dignidade, cooperação, generosidade, inteligência, criatividade. Este valores dão força ao ser humano,não a humilhação e opressão dos mais vulneráveis.
Também consideramos muito importante a realização de atividades onde todos possam interagir e se conhecer mais, dando destaque às habilidades de cada um. Desta forma, abre-se a possibilidade dos participantes de um grupo se sentirem menos ameaçados, podendo "baixar a guarda" e a necessidade de se defender projetando no outro suas fragilidades.